Na última década, o Brasil ampliou o custeio de acolhimento de pessoa em uso abusivo de drogas dentro de comunidades terapêuticas, entidades geralmente mantidas por religiosos e políticos que ofertam tratamento baseado na abstinência total. Na contramão do que preconizava a Política Nacional de Saúde Mental, atualizada em 2019 para se adequar ao novo cenário, as comunidades terapêuticas nem sempre têm metodologia em saúde e acompanhamento de equipe multidisciplinar.

O tratamento costuma ser baseado na fé e na disciplina, mas isso já é bem documentado. Por outro lado, há muitas perguntas ainda incertas. Como as pessoas chegam a esses espaços? Como funciona o recrutamento? O que acontece com elas depois de saírem de uma comunidade terapêutica? Essas foram algumas das perguntas base para a construção deste projeto, produzido como parte integrante do Fundo de Novas Narrativas Sobre Drogas, oferecido pela Fundação Gabo e a Open Society Foundations. 

Foram nove meses de apuração. Histórias de três estados do Nordeste: Bahia, Sergipe e Pernambuco. Quase 50 fontes entrevistadas, entre especialistas, pessoas em uso abusivo, pessoas em tratamento, acolhidos, donos de comunidades e clínicas e entidades do poder público. Ao fim, o cenário encontrado contempla processos migratórios, incorporação trabalhista, violação de direitos humanos, disputa de interesses, entre outros temas.

O especial Dependências é uma produção da Agência Retruco de Jornalismo Independente.

Data de publicação: 9 de novembro de 2020

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Textos: Alice de Souza e Fernanda Santana

Reportagem em vídeo: Alice de Souza e Thiago Santos

Produção: Alice de Souza, Thiago Santos, Luane Ferraz, Bruno Vinícius e Fernanda Santana

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